PERDER E GANHAR- “Aquele que quiser salvar a sua vida, derdê-la-á…”  

A expressão do Cristo, conduz-nos a amadurecidas meditações, no sentido de que aquele que deseja ganhar a vida, é o indivíduo que se movimenta por experimentar todos os possíveis gozos, todos os prazeres que supõe lícitos, ainda que não convenientes. Querem a própria vida, aqueles que não trepidam em sobrepujar os companheiros da jornada humana, a fim de atingirem seus intentos, mesmo que sejam inferiores e criminosos. Os que se admitem mais inteligentes ou argutos, desenvolvendo planos para dominações indevidas, ainda que à custa de intrigas, de conchavos macabros ou da velhacaria. Enfim, são os que vencem no mundo, gozam no mundo, já tendo logrado aqui mesmo na Terra, os seus valores almejados.

 As criaturas, porém, que perdem a vida por amor do Reino dos Céus, não são avessas aos prazeres equilibrados que se pode fruir no mundo, mas, a eles não se apegam, nem se escravizam, devotados que estão aos misteres do auxílio, do socorro ao próximo, sob diversos aspectos. São os que priorizam a fraternidade, o bem, o amor, que se evidenciam nos múltiplos quefazeres da existência.

Perdem a vida para ganhá-la, tantos que renunciam a noites de sono tranquilo, acalentando as horas sofridas à cabeceira dos irmãos enfermos; as mães que se dedicam, amorosamente, sem qualquer reclamação, aos filhos doentes, deficientes físicos ou mentais, a outros obsidiados, desassossegados ou rebeldes, ante o acicate das sementeiras desditosas do passado; pessoas que se internam em laboratórios e gabinetes da lúcida ciência, preparando chaves libertadoras para a saúde humana ou favorecendo o conforto e a paz da humanidade. Esses últimos renunciam ao aconchego dos afetos, mesmo quando são vistos como ególotras; tantos que experimentam solidão, podendo viver ao lado de almas queridas, a fim de pensarem soluções para os infindáveis dramas terrestres, plasmando filosofias nobres, sob vigorosa inspiração dos Ceus.

É assim que os que ganharam no mundo se defrontarão com as frustrações e amarguras, mesmo antes da morte do corpo.

Desse modo é que os que priorizaram o Espírito, ainda que nele dissessem não crer, pela coragem de abrir mão de tanta vacuidade, de tantas coisas vãs, encontrarão alegrias e bênçãos multiplicadas, em si mesmos, perante a consciência altanada pelo amor imarcescível. São os que vencem o mundo, verdadeiramente.

Conscientes quanto aos compromissos que a reencarnação nos apresenta, quanto atrelados ao corpo carnal, ninguém malverse os lídimos valores da vida, fazendo-a torpe ou banalizada, para que não perca o direito de tê-la, formosa, adiante…

A Boa Nova é um estuário de orientações para que o Espírito alcance a vida sem morte da integração com Cristo.

Do Livro: CINTILAÇÕES DAS ESTRELAS. Camilo (Espírito). Psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritas. 1ª Ed. Niteroi – Rio de Janeiro. RJ. 1992. p.111

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza – Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

manoelataides@gmail.com

 

 

               

 

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