Estado reduz em 95% desmatamento ilegal em quatro anos
Levantamento do IAT revela queda expressiva na supressão vegetal entre 2021 e 2024. Na regional de Guarapuava, que abrange diversas cidades da Cantu, a redução alcançou 95,7%
O desmatamento ilegal da Mata Atlântica no Paraná sofreu uma redução significativa nos últimos quatro anos. De acordo com um levantamento do Instituto Água e Terra (IAT), vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), a supressão vegetal caiu de 6.939 hectares em 2021 para apenas 329 hectares em 2024. A queda de 95,2% é atribuída a melhorias nas ações de fiscalização promovidas pelo órgão ambiental.
Monitoramento
O levantamento foi coordenado pelo Núcleo de Inteligência Geográfica e da Informação (NGI) do IAT, um setor criado para aprimorar a vigilância sobre o patrimônio natural do estado. A análise dos dados tem como base os alertas publicados pela Plataforma MapBiomas, uma iniciativa do Observatório do Clima que monitora alterações no uso da terra. Entre as regionais do IAT, algumas se destacaram pela expressiva redução no desmatamento ilegal: Francisco Beltrão teve redução de 98%, de 706,01 hectares para 11,26 hectares, no Litoral a queda é de 96,8%, de 58,58 hectares para 1,88 hectare, em Pato Branco uma diminuição de 96%, de 571,79 hectares para 17,68 hectares, já em Cascavel a redução foi de 95,4%, de 278,51 hectares para 12,86 hectares, em Irati a queda chegou a 95,2%, de 473,47 hectares para 22,92 hectares, enquanto Guarapuava teve uma diminuição de 95,7%, de 2.596,06 hectares para 111,73 hectares.
O avanço na proteção da está diretamente ligado ao aumento das fiscalizações, tanto em vistorias presenciais quanto por meio de tecnologias de monitoramento remoto. Entre 2021 e 2024, o número de Autos de Infração Ambiental (AIAs) ligados a crimes contra a flora nativa cresceu 65%, subindo de 3.183 para 5.252. Consequentemente, o valor total das multas aplicadas também aumentou, passando de R$ 78,7 milhões para R$ 134 milhões, um crescimento de 70%.
Regiões com mais infrações
Em 2024, as regionais do IAT que mais aplicaram autos de infração relacionados ao desmatamento foram:
Guarapuava: 745 infrações;
Curitiba: 633 infrações;
Francisco Beltrão: 584 infrações;
Irati: 529 infrações;
Ponta Grossa: 420 infrações.
Somados, esses locais foram cerca de R$ 84 milhões em multas ambientais. Os valores arrecadados com as penalidades são integralmente direcionados ao Fundo Estadual do Meio Ambiente, que financia projetos de conservação e recuperação ambiental no estado, conforme estabelecido pela Lei Estadual 12.945/2000.
O gerente de Monitoramento e Fiscalização do IAT, Álvaro Cesar de Goes, destaca que o aumento no volume de multas demonstra a eficácia das estratégias adotadas pelo órgão. “Esse balanço mostra claramente a forte atuação do IAT, por meio dos nossos agentes fiscais, que estão espalhados por todo o Paraná, mas principalmente nas regiões que ainda concentram as maiores reservas de vegetação nativa da Mata Atlântica”, afirma.
Goes também ressalta o papel da tecnologia na fiscalização. “Com o apoio de ferramentas tecnológicas, conseguimos identificar e punir os infratores com maior rapidez. Isso nos permite atuar por terra, água e também com apoio aéreo, garantindo que o desmatamento ilegal seja combatido de forma eficaz”, explica.
Denúncia
Os responsáveis por desmatamento ilegal estão sujeitos a multas, embargos e processos criminais. Para denunciar atividades ilegais, a população pode utilizar os seguintes canais: Disque-Denúncia 181, Ouvidoria do IAT: acessível pelo serviço de ‘Fale Conosco’ no site oficial do órgão, Escritórios regionais do IAT: onde as ocorrências podem ser registradas pessoalmente.
Ao relatar uma ocorrência, é importante fornecer informações detalhadas sobre a localização e os acontecimentos, pois quanto mais precisos os dados, mais eficiente será a investigação e a resposta das autoridades.